sexta-feira, 17 de junho de 2022

 RESUMO

Características do Trovadorismo

1. Forte relação da música e a poesia

No trovadorismo, grande parte dos textos eram produzidos para serem cantados e acompanhados de instrumentos musicais (viola, flauta e alaúde). Isso porque, na Idade Média, a maior parte pessoas não sabiam ler e escrever.

2. Presença de trovadores, jograis e menestréis

Os autores das cantigas, que faziam trovas e rimas, eram conhecidos como “trovadores”, daí o nome do movimento.

3. Produção de cantigas líricas e satíricas

O trovadorismo se destacou com a produção de poesias líricas (cantigas de amor e amigo) e poesias satíricas (cantigas de escárnio e maldizer).

4. Amor cortês e vassalagem amorosa

Uma forte característica explorada nas cantigas de amor do trovadorismo é o amor cortês e a vassalagem amorosa. Juntos, esses conceitos representam a submissão e fidelidade amorosa do homem diante de sua amada. Esse sentimento é expresso pela promessa de honrar e servir a dama com humildade e paciência.

5. Produção de textos em prosa

6. Produção de textos teatrais

No trovadorismo, os textos teatrais também foram explorados e está composto de mistérios, milagres, moralidades, autos e sotties.

Principais características do Humanismo

  • Antropocentrismo, onde o homem está no centro do conhecimento;
  • Cientificismo, de modo a encontrar respostas científicas dos fenômenos naturais;
  • Racionalismo, em que a razão humana prevalece;
  • Demonstração da figura humana, suas expressões e detalhes das proporções, baseada nos modelos clássicos greco-romanos;
  • Descentralização do conhecimento, onde a Igreja perde o monopólio do conhecimento com o desenvolvimento da imprensa.
 Classicismo

Além da literatura, o classicismo foi um movimento artístico que teve grande destaque nas artes plásticas e na arquitetura. Essa tendência se espalhou pelo continente europeu no século XVI e teve o Renascimento como seu principal aliado.

"Principais características do Classicismo

* Busca pelo equilíbrio, pela proporção, pela objetividade e pela transparência.

*Contenção da subjetividade, dos ímpetos da interioridade: o que vale é a obra, não o que sente ou pensa o autor. O autor deve desaparecer perante a obra.

*Rigor formal: cada forma utilizada no texto clássico deve seguir um conjunto de regras próprio.

*Noção do ideal de beleza grego, também norteado pela proporção e pelo equilíbrio das formas.

*Neoplatonismo.

*Temas da mitologia greco-romana.

*Valorização da racionalidade em oposição à sentimentalidade e do universal em detrimento do particular.

*Antropocentrismo, a centralidade da existência humana em relação ao Universo e àquilo que o compõe.

*Obra como veiculadora de verdades e ensinamentos que permitam aperfeiçoar a alma humana.




segunda-feira, 28 de março de 2022

 



O que foi o Romantismo?

O Romantismo foi um movimento artístico que surgiu na Europa no século XVIII, mais especificamente na década de 1770, e durou até o século XIX. Esse movimento influenciou a literatura, a pintura, a arquitetura e a música. 
Qual foi o principal objetivo do romantismo?
No romantismo, a sociedade evidenciou o espírito romântico – atitude e visão de mundo centrada no indivíduo – com o objetivo de se diferenciar dos pensamentos do Iluminismo, que colocava a razão como centro do mundo e pregava a objetividade. 
Em grande parte do século XIX, o Romantismo e esse espírito romântico produziram teorias filosóficas e obras de artes bastante subjetivas. Os romancistas tinham a intenção de retratar o drama e as emoções humanas, os amores trágicos e os ideais utópicos.

Contexto Histórico do Romantismo 

O Romantismo surgiu durante a Era das Revoluções – período compreendido, aproximadamente, entre 1774 e 1849 – no qual ocorreram diversas transformações políticas, sociais e econômicas no Ocidente, como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa.

Movidos por esse ideal de mudança, os artistas românticos começaram a mudar a teoria e a prática de suas artes. Além disso, a forma como essas pessoas enxergavam o mundo também começou a mudar. Tais transformações ultrapassaram o campo artístico e teve imenso impacto na filosofia e em toda a cultura ocidental, que passou a aceitar a emoção e os sentidos como uma forma válida de experimentar a vida.

A influência das revoluções pode ser percebida nas características de idealismo e rebeldia, que foram marcantes nas obras produzidas no período.

Da mesma forma, o escapismo e o subjetivismo, que valorizavam mais os sentimentos individuais do que os coletivos, como consequência do desgosto com a situação social, também podem ser apontados como uma influência do período histórico no Romantismo.

O individualismo, que era outro aspecto do desse movimento, era uma característica da burguesia da época, que se tornou mais evidente a partir das revoluções do final do século XVIII.

Quais são as principais características do Romantismo?

 Levando em consideração que o Romantismo buscava se afastar dos valores tradicionais e queria se libertar da visão objetiva, a maioria de suas características são oposições diretas à esses preceitos.

👉 Liberdade de expressão e de criação
  As regras externas não importam no Romantismo. As obras desse movimento têm como principal objetivo retratar e valorizar o “eu”. Por esse motivo, os autores sentem que têm total liberdade para expressarem seus sentimentos e visão de mundo da forma como desejam.  o objetivo não era descrever o mundo como ele é, mas sim como ele poderia ser.

👉 Rebeldia e Idealismo  
Os autores do Romantismo tinha uma visão de mundo completamente idealizadaPara eles, a pátria, a mulher e o amor são vistos não da forma como são, mas como eles acreditam que deveriam ser. Por esse motivo, a pátria é sempre perfeita. A mulher é sempre retratada como virgem, frágil, bela e submissa e além dessas características, está  o inatingível. O amor é espiritual, geralmente inalcançável e a causa de grande sofrimento.

👉 Individualismo
 Os autores do Romantismo consideravam que eles e seus sentimentos estavam no centro do universo. Na visão dos romancistas, seus desejos, paixões e frustrações são mais importantes do que os acontecimentos externos. Eles davam grande ênfase às suas características e experiências pessoais, que geralmente eram definidas por sentimentos e emoções. Dessa forma, as obras românticas eram também marcadas por um forte subjetivismo que retratava de forma fiel a visão de mundo dos autores.
 👉 Nacionalismo                                                                                                                               Muitas obras do Romantismo exaltam os feitos dos heróis nacionais, resgatando o passado das nações, principalmente o período medieval. Também é comum a valorização da pátria.                            
👉Valorização da Natureza                                                                                                                    Para os romancistas, a natureza consistia em uma força incontrolável e transcendental. O autor romântico é fascinado pela natureza. Ele descreve as paisagens exóticas e usa, também, essa característica para exaltar sua nação.                                                                                                                                                                       
👉Pessimismo e Escapismo                                                                                                                      Os romancistas, frequentemente, ficam impossibilitados de realizar os desejos do seu “eu”. Isso acaba gerando angústia, frustração, desespero, tristeza, entre outras emoções que acabam caracterizando esse estado de espírito como o “mal do século”.  A causa dessa frustração vem do contexto histórico: a Revolução Francesa promoveu mudanças, mas essas mudanças não deixaram os homens satisfeitos e nem realizou seus desejos. Dessa forma, ele sente a necessidade de escapar da realidade. Devido à isso, o final de muitas obras do período do Romantismo traz a saída encontrada pelos autores para essa tristeza e para fugir da realidade. Morte, suicídio, fuga para a natureza ou a pátria são os escapes possíveis para esse mal.
👉Sentimentalismo                                                                                                                          ênfase nas emoções pessoais é uma das principais características do Romantismo.         
Gerações do Romantismo 
👉  Primeira Geração (Romantismo ultra sentimental)                                                                   Quando o Romantismo surgiu os autores ainda mantinham em seus textos algumas características clássicas, seguindo regras da produção literária referentes ao período.As obras desse período abordam a natureza, o país e idealizam tudo maravilhoso, por isso alguns estudiosos chamam essa geração de nacionalista. Em Portugal, os temas mais frequentes eram o nacionalismo, o romance histórico e o medievalismo. No Brasil, esse apego ao passado era visto no indianismo.                            
👉 Segunda Geração (Romantismo social)                                                                                               A segunda geração é o período conhecido como Ultrarromântico, em que o mal do século tem papel de destaque e as obras acabam sendo mais pesadasSuas características marcantes são o exagero no subjetivismo e emocionalismo. As menções ao tédio e desejo de morte são frequentes.                      👉Terceira Geração (Romantismo nacionalista)                                                                               Nesse período os escritores quebraram regras da literaturaOs poemas começaram a ser escritos de maneira diferente e na prosa começam a aparecer palavras que antes não eram da literatura, ou seja, palavras mais usadas pelo povo. Nessa geração os autores também começaram a falar de questões sociais. Foi o primeiro passo para o realismo, próximo movimento literário.
O que foi Romantismo no Brasil                                                            O Romantismo chegou ao Brasil no início do século XIX. Seu marco inicial foi a publicação do livro “Suspiros poéticos e saudades”, de Gonçalves de Magalhães, em 1836. Porém, o Romantismo brasileiro apresenta características um pouco diferentes do Romantismo europeu.                                                 Na Europa, obras com temáticas medievais eram bastante comuns, já que esse era o passado histórico europeu. Já no Brasil, o resgate ao passado chegava aos nossos ancestrais que já viviam aqui: os índios.  O Romantismo brasileiro é marcado pelo indianismo e culto à nossa fauna e flora. Também está presente o regionalismo ou sertanismo, que é o fato de os autores concentrarem-se em personagens que retratam o típico brasileiro do interior, que vive com o folclore característico de sua região e costumes locais. A literatura desse período também retratava as lutas políticas e sociais existentes em nosso país, como o movimento abolicionista. Também não podemos nos esquecer que, devido à época, começavam a surgir problemas urbanos relacionados à relação delicada entre indústrias e operários, assim como a corrupção e o materialismo.

                                                     


quinta-feira, 10 de março de 2022

           Plural dos Substantivos Compostos                                                                                             
 A formação do plural dos substantivos compostos depende da forma como são grafados, do tipo de palavras que formam o composto e da relação que estabelecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen comportam-se como os substantivos simples:

aguardente e aguardentes
girassol e girassóis
pontapé e pontapés
malmequer e malmequeres


Para pluralizar os substantivos compostos cujos elementos são ligados por hífen, observe as orientações a seguir:

a) Quando as duas palavras forem substantivos, pode-se optar por colocar apenas o primeiro elemento ou ambos no plural:

palavra-chave = palavras-chave ou palavras-chaves
couve-flor = couves- flor ou couves-flores
bomba-relógio = bombas-relógio ou bombas-relógios
peixe-espada = peixes-espada ou peixes-espadas

b) Flexionam-se os dois elementos, quando formados de:

substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras

c) Flexiona-se somente o segundo elemento, quando formados de:

verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto-falantes
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos /
tique- taque - tique-taques

d) Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando formados de:

substantivo  + preposição clara + substantivo = água-de-colônia e águas-de-colônia

substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo-vapor e cavalos-vapor

e) Permanecem invariáveis, quando formados de:

verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os saca-rolhas

f) Casos Especiais

o louva-a-deus e os louva-a-deus

o bem-te-vi e os bem-te-vis

o bem-me-quer e os bem-me-queres

o joão-ninguém e os joões-ninguém

 

  

sexta-feira, 27 de março de 2020

A ARTE CINÉTICA

A “arte cinética” ou “cinetismo” representa um movimento artístico moderno das artes plásticas, surgido em Paris na década de 50.
Como o próprio nome indica, determina uma arte vibrante e dinâmica que possui como principal característica o movimento, em detrimento do caráter estático da pintura e da escultura.
Os artistas dessa corrente artística trabalham especialmente com a arte abstrata (abstracionismo), de forma a gerar no espectador uma ilusão de ótica, expressa por meio de efeitos visuais de uma “obra móvel”. Nesse sentido, vale lembrar que o movimento da "Op Arte" está intimamente relacionada com a proposta da arte cinética.
Um dos maiores exemplos da arte cinética está o pintor e escultor estadunidense Alexander Calder (1898-1976), muito conhecido por seus “Móbiles” (desenho em quatro dimensões), um tipo de escultura com peças que se movimentam, seja pela ação dos ventos ou por motores de energia.
Ainda que seja Calder o mais lembrado quando se fala de “mobiles”, foi o artista francês Marcel Duchamp (1887-1968) seu criador.
Na física, a palavra “cinética” refere-se ao estudo da ação das forças na mudança de movimento dos corpos. Esse termo é também utilizado na química, biologia e filosofia.
Origem da arte cinética
A arte cinética foi uma corrente artística moderna que surgiu na capital francesa, Paris, com a exposição “Lemouvement” (O movimento), na galeria Denise René, em 1955.
Dentre vários artistas que participaram destacam-se: Marcel Duchamp, Alexander Calder, Jean Tinguely, Victor Vasarely, Yves Klein, Jesus Raphael Soto e Pol Bury.
A partir disso, surgem na Europa diversos grupos de artistas da arte cinética: “Equipo 57” (1957), “Groupe de Recherche D'Art Visuel” (1960), na França; e o Grupo Zero (1958), na Alemanha.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

RESUMO DA OBRA DOM CASMURRO


                RESUMO DA OBRA DOM  CASMURRO

Dom Casmurro é o nome de um romance escrito por Machado de Assis em 1899 e publicado no ano seguinte. Após Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba, esta obra completa a chamada "trilogia realista" de Machado de Assis.
Dom Casmurro está dividido em 148 capítulos, na sua maioria curtos. O enredo não é dinâmico e a narrativa é interrompida a todo momento por pensamentos ou lembranças fragmentadas. A narração é feita em primeira pessoa por Bento Santiago, que relata a história de sua vida. Trata-se de uma pseudo-biografia de um homem envelhecido que parece preencher sua solidão com a recordação de um passado que marca seu sofrimento pessoal. É uma visão amarga e doída de quem foi machucado e traído pela vida, e por isso, vai-se isolando e ensimesmando. O título da obra reflete tal ideia: Casmurro é um termo referente ao homem calado e metido consigo. O “Dom” é uma ironia, pois atribui importância, destaque a este homem isolado.A história se passa por volta de 1857, na cidade do Rio de Janeiro. O narrador realiza uma trajetória pelos bairros e ruas do Rio, desde o Engenho Novo, onde escreve sua obra, até a Rua de Matacavalos, onde passou sua infância e conheceu Capitu (Capitolina). Bentinho e Capitu casam-se em 1865 e separam-se 1872.

Resumo
       O romance inicia-se numa situação posterior a todos os seus acontecimentos. Bento Santiago, já um homem de idade, conta ao leitor como recebeu a alcunha de Dom Casmurro. A expressão fora inventada por um jovem poeta, que tentara ler para ele no trem alguns de seus versos. Como Bento cochilara durante a leitura, o rapaz ficou chateado e começou a chamá-lo daquela forma.
      O narrador inicia então o projeto de rememorar sua existência, o que ele chama de “atar as duas pontas da vida”. O leitor é apresentado à infância de Bentinho, quando ele vivia com a família num casarão da rua de Matacavalos.
O primeiro fato relevante narrado é também seu primeiro motivo de preocupação. Bentinho escuta uma conversa entre José Dias e dona Glória: ela pretende mandá-lo ao seminário no cumprimento de uma promessa feita pouco antes de seu nascimento. A mãe, que já havia perdido um filho, prometera que, se o segundo filho nascesse “varão”, ela faria dele padre. Na conversa, dona Glória soubera da amizade estreita entre o menino e a filha de Pádua, Capitolina.
          Bentinho fica furioso com José Dias, que o denunciara, e expõe a situação a Capitu. A menina ouve tudo com atenção e começa a arquitetar uma maneira de Bentinho escapar do seminário, mas todos os seus planos fracassam. O garoto segue para o seminário, mas, antes de partir, sela, com um beijo em Capitu, a promessa de que se casaria com ela.
No seminário, Bentinho conhece Ezequiel de Souza Escobar, que se torna seu melhor amigo. Em uma visita a sua família, Bentinho leva Escobar e Capitu o conhece.
        Enquanto Bentinho estuda para se tornar padre, Capitu estreita relações com dona Glória, que passa a ver com bons olhos a relação do filho com a garota. Dona Glória ainda não sabe, contudo, como resolver o problema da promessa e pensa em consultar o papa. Escobar é quem encontra a solução: a mãe, em desespero, prometera a Deus um sacerdote que não precisava, necessariamente, ser Bentinho. Por isso, no lugar dele, um escravo é enviado ao seminário e ordena-se padre.
Bentinho vai estudar direito no Largo de São Francisco, em São Paulo. Quando conclui os estudos, torna-se o doutor Bento de Albuquerque Santiago. Ocorre então o casamento tão esperado entre Bento e Capitu. Escobar, por seu lado, casara-se com Sancha, uma antiga amiga de colégio de Capitu. Capitu e Bentinho formam um “duo afinadíssimo”.Essa felicidade, entretanto, começa a ser ameaçada com a demora do casal em ter um filho. Escobar e Sancha não encontram a mesma dificuldade: têm uma bela menina, a quem colocam o nome de Capitolina.
      Depois de alguns anos, Capitu finalmente tem um filho, e o casal pode retribuir a homenagem que Escobar e Sancha lhe haviam prestado: o filho é batizado com o nome de Ezequiel.Os casais passam a conviver intensamente. Bento vê uma semelhança terrível entre o pequeno Ezequiel e seu amigo Escobar, que, numa de suas aventuras na praia – o personagem era excelente nadador -, morre afogado. 
      Bento enxerga no filho a figura do amigo falecido e fica convencido de que fora traído pela mulher. Resolve suicidar-se bebendo uma xícara de café envenenado. Quando Ezequiel entra em seu escritório, decide matar a criança, mas desiste no último momento. Diz ao garoto, então, que não é seu pai. Capitu escuta tudo e lamenta-se pelo ciúme de Bentinho, que, segundo ela, fora despertado pela casualidade da semelhança. 
       Após inúmeras discussões, o casal decide separar-se. Arruma-se uma viagem para a Europa com o intuito de encobrir a nova situação, que levantaria muita polêmica. O protagonista retorna sozinho ao Brasil e se torna, pouco a pouco, o amargo Dom Casmurro. Capitu morre no exterior e Ezequiel tenta reatar relações com ele, mas a semelhança extrema com Escobar faz com que Bento Santiago o rejeite novamente. O destino de Ezequiel é infeliz: ele morre de febre tifóide durante uma pesquisa arqueológica em Jerusalém.
       Triste e nostálgico, o narrador constrói uma casa que imita sua casa de infância, na rua de Matacavalos. O próprio livro é também uma tentativa de recuperar o sentido de sua vida. No fim, o narrador parece menosprezar um pouco a própria criação. Convence-se de que o melhor a fazer agora é escrever outra obra sobre “a história dos subúrbios”.



quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Barroco


O Barroco
 É um estilo que dominou a arquitetura, a pintura, a literatura e a música na Europa do século XVII.
Por isso, toda a cultura desse período, incluindo costumes, valores e relações sociais, é chamada de "barroca".
Essa época surgiu no final do Renascimento e manifestava-se através de grande ostentação e extravagância entre os grupos beneficiados pelas riquezas da colonização
Barroco no Brasil
Barroco no Brasil tem início no final do século XVII. No país, essa tendência artística teve grande destaque na arquitetura, escultura, pintura e literatura.
Na literatura, o marco inicial do barroco é a publicação da obra “Prosopopeia” (1601) de Bento Teixeira. Na escultura e arquitetura, Aleijadinho foi sem dúvida um dos maiores artistas barrocos brasileiros.
Contexto Histórico:
Influenciado pelo barroco português, no Brasil este estilo se desenvolveu durante o período colonial no chamado “Século de Ouro”.
Foi durante o ciclo do ouro que a exploração desse minério foi a principal atividade econômica desenvolvida no país. Minas Gerais foi o grande foco onde muitas jazidas foram encontradas.
Nessa época, a primeira capital do Brasil, Salvador, foi transferida para o Rio de Janeiro.
Diante disso, o número de habitantes no Brasil aumentou consideravelmente o que propiciou uma época de forte desenvolvimento econômico no país. No barroco mineiro, merece destaque o escultor e arquiteto brasileiro: Aleijadinho.
Características do Barroco
As principais características do barroco brasileiro são:
  • Linguagem dramática;
  • Racionalismo;
  • Exagero e rebuscamento;
  • Uso de figuras de linguagem;
  • União do religioso e do profano;
  • Arte dualista;
  • Jogo de contrastes;
  • Valorização dos detalhes;
  • Cultismo (jogo de palavras);
  • Conceptismo (jogo de ideias).
Principais Autores e Obras
Os principais autores e obras escritas no Brasil são:
  • Bento Teixeira (1561-1618): autor de “Prosopopeia” (1601), poema épico com 94 estrofes que exalta a obra de Jorge de Albuquerque Coelho, terceiro donatário da capitania de Pernambuco.
  • Gregório de Matos (1633-1696): um dos maiores representantes da literatura barroco no Brasil, que se destacou com sua poesia lírica, religiosa, erótica e satírica. É conhecido como “Boca do Inferno”, uma vez que sua poesia ironizava diversos aspectos da sociedade.
  • Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711): foi o primeiro brasileiro a publicar versos no estilo barroco. De sua obra destaca-se: “Música do Parnaso” (1705).
  • Frei Vicente de Salvador (1564-1636): historiógrafo e o primeiro prosador do país. De sua obra destacam-se: “História do Brasil” e “História da Custódia do Brasil”.
  • Frei Manuel da Santa Maria de Itaparica (1704-1768): autor de “Eustáquios” e “Descrição da Ilha de Itaparica”.

A Linguagem do Barroco é provocadora e rebelde. Ela retrata a inquietação, a inconformidade do homem e o seu conflito do corpo e da alma, da razão e da fé (dualismo e contradição)
.Isso tudo em virtude do contexto histórico em que se insere, especialmente ao Renascimento e à Contrarreforma.
As figuras de linguagem são particularmente exploradas na escola literária do Barroco, que predominou no século XVII.
O Mote do Barroco
O mote do Barroco é precisamente a antítese "vida e morte" e, por extensão, a brevidade da sua existência.
Assim, nesse período o homem questiona a fé em detrimento dos prazeres da vida, bem como se interpela com relação à instabilidade e à inconstância.
A premissa do carpe diem - expressão latina cujo sentido literal é “aproveitar o dia” - é muito utilizada nesse período. Ela significa que cada momento da vida deve ser desfrutado.
Tendências do Barroco
As duas tendências que predominaram nesse movimento literário foram:
Cultismo - É o chamado "jogo de palavras". Nele está presente o formalismo e o vocabulário rebuscado, bem como o emprego frequente das figuras de linguagem.
Conceptismo - É o chamado "jogo de ideias". Nele está presente o raciocínio e o pensamento lógico.
Figuras de Linguagem
Dentre os recursos mais utilizados pelos autores do Barroco, se destacam as seguintes figuras de linguagem:
Foi o recurso mais utilizado no Barroco por meio da utilização de conceitos opostos.
Exemplo:
de vossa alta clemência me despido;
Se basta a vos irar tanto um pecado

(Gregório de Matos)
Antítese presente: clemência x irar
Utilização de expressões contraditórias ou absurdas.
Exemplo:
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado
(Gregório de Matos)
Utilização de expressões exageradas.
Exemplo:
Romperam-se enfim as cataratas do céu
(Padre Antônio Vieira)
Hipérbole presente: cataratas do céu.
Utilização de palavras ou expressões análogas.
Exemplo:
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada
(Gregório de Matos)
Metáfora presente: ovelha desgarrada = pecador
Ruptura na ordem lógica da frase.
Exemplo:
As Délficas irmãs chamar não quero
(Bento Teixeira)
Barroco em Portugal
Barroco em Portugal teve início em 1580, ano da morte de Luís de Camões, um dos maiores escritores clássicos de língua portuguesa.
Esse período vigorou em Portugal até 1756, com a fundação da Arcádia Lusitânia e o surgimento de um novo estilo.
O Barroco Literário em Portugal teve como maior representante o padre Antônio Vieira e suas obras “Sermões”, escritas em estilo conceptista.
Lembre-se que o Barroco (ou Seiscentismo) é uma escola literária posterior ao Classicismo e anterior ao Arcadismo (Setecentismo).
Esse estilo floresceu nas artes (arquitetura, pintura, literatura e a música) europeias a partir do século XVII.
Além da literatura, pintura e escultura, a arquitetura teve grande destaque em Portugal. Merece atenção a arquitetura jesuítica, conhecida como arquitetura chã (estilo chão).
De influência clássica, o 'estilo chão' buscou demostrar a simplicidade, a funcionalidade e a proporcionalidade das formas.

Contexto Histórico:
O Barroco em Portugal inicia-se durante o período de colonização do Brasil e de diversos conflitos com os holandeses. Eles tentavam conquistar parte do território que estava dob domínio português.
Além disso, o surgimento da União Ibérica, diversos conflitos com a Espanha e a Guerra de Restauração, enfraqueciam ainda mais o país. Esses fatores foram essenciais para o surgimento de uma grande crise econômica, política e social no país.
Assim, Portugal estava sob o domínio espanhol e lutava pela independência, que somente conquista em 1640.
No geral, a Europa enfrentava momentos de crise entre o humanismo renascentista e o medievalismo religioso.
Podemos dizer que o barroco foi um momento de transição, onde diversas descobertas científicas incitaram muitas dúvidas, sobretudo no campo religioso.
Com a Reforma Protestante de Martinho Lutero, a Igreja Católica começa a se enfraquecer em certas regiões da Europa e a perder muitos fiéis.
Diante disso, surge um período de perseguição religiosa, ao mesmo tempo que o humanismo renascentista inaugura uma nova era: a idade Moderna.
Vale destacar que o Renascimento, que teve início na Itália, influenciou e abrangeu aspectos importantes da cultura e das artes.

Características do Barroco
As principais características do barroco português são:
Exagero e minúcia nos detalhes;
Temática religiosa e profana;
Dualidade e complexidade;
Uso de figuras de linguagem;
Contrastes e conflitos;
Teocentrismo versus antropocentrismo;
Cultismo e conceptismo.

Cultismo e Conceptismo
Dois conceitos muito importantes na escola literária do barroco são o cultismo (ou Gongorismo) e o conceptismo (ou Quevedismo).
Enquanto o cultismo é determinado pelo jogo de palavras, o conceptismo refere-se ao jogo de ideias e conceitos.
O primeiro, influenciado pelo poeta espanhol Gôngora, é marcado pela linguagem rebuscada, ornamental e culta, valorizando a forma textual.
Já o segundo, baseado na poesia do espanhol Quevedo, caracteriza o racionalismo e o pensamento lógico. Esse estilo tem como principal objetivo convencer o leitor.
Autores e Obras
Os principais autores do barroco português foram:
  • Padre Antônio Vieira (1608-1697): Sermão de Santo António aos Peixes (1654), Sermão da Sexagésima (1655), Sermão do Bom Ladrão (1655).
  • Padre Manuel Bernardes (1644-1710): Pão Partido em Pequeninos (1694), Luz e Calor (1696), Nova Floresta (1706).
  • Francisco Manuel de Melo (1608-1666): Carta de Guia de Casados (1651), Obras Métricas (1665), Apólogos Dialogais (1721).
  • Francisco Rodrigues Lobo (1580-1622): O Pastor Peregrino (1608), Condestabre (1609), A Corte na Aldeia (1619).
  • Soror Mariana Alcoforado (1640-1723): Cartas Portuguesas (1669)
  • Antônio José da Silva (1705-1739): Vida do grande D. Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança (1733), Labirinto de Creta (1736), Guerras do Alecrim e da Manjerona (1737)


terça-feira, 21 de maio de 2019

Figuras de Linguagem



                                     

Figuras de linguagem são recursos de expressão, utilizados por um escritor, com o objetivo de ampliar o significado de um texto literário ou também para suprir a falta de termos adequados em uma frase. É um recurso que dá uma grande expressividade ao texto literário.
As mais comuns são: metáfora, comparação, metonímia, antítese, paradoxo, personificação (ou prosopopeia), hipérbole, eufemismo, ironia, elipse, zeugma, pleonasmo, polissíndeto, assíndeto, onomatopeia, anáfora, sinestesia, gradação e aliteração.

Metáfora
A metáfora é um tipo de comparação, mas sem os termos comparativos (tal como, como, são como, tanto quanto, etc). Na metáfora, a comparação entre dois elementos está implícita, trazendo uma relação de semelhança entre eles.
Exemplo: Tempo é dinheiro.

Comparação
A comparação consiste na aproximação entre dois objetos por meio de uma característica semelhante entre eles, dando a um as características do outro. Difere da metáfora porque possui, obrigatoriamente, termos comparativos. Em suma, é uma comparação explícita.
Exemplo:Tempo é como dinheiro.
Neste exemplo vemos o principal definidor de uma comparação: a palavra como traz explicitamente a ideia de que o tempo é valoroso como o dinheiro.

Metonímia
É a substituição de uma palavra por outra sendo que, entre ambas, há uma proximidade de sentidos, uma relação de implicação.
 Exemplos:  Não leu Machado de Assis.
                     Não leu a obra de Machado de Assis.
Vemos no exemplo que a obra de Machado de Assis foi substituída só pelo nome do autor. A metonímia consiste nessa substituição de palavras, dando o mesmo sentido a uma frase. A seguir, outro exemplo que reforça essa substituição:

Antítese
A antítese consiste no uso de palavras, expressões ou ideias que se opõem. Exemplo:

                                                      Soneto da Separação

                                               De repente do riso fez-se o pranto
                                               Silencioso e branco como a bruma
                                               E das bocas unidas fez-se a espuma
                                               E das mãos espalmadas fez-se o espanto

                                                                                                                                  Vinícius de Moraes

Neste soneto vemos claramente a antítese por trás da temática da separação amorosa: o que antes era riso trouxe lágrimas com a separação; as bocas unidas pelo beijo no amor se separam como a espuma que se espalha e se dissolve. A oposição de sentimentos e atos forma claramente a antítese.


Personificação (ou prosopopeia)
A personificação, também chamada prosopopeia, consiste na atribuição de características humanas, como sentimentos, linguagem humana e ações do homem, a coisas não-humanas. Exemplo:

                                       Congresso Internacional do Medo
                                    Provisoriamente não cantaremos o amor,
                                   que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
                                   Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
                                    não cantaremos o ódio, porque esse não existe,
                                    existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro.
                                                                                                                                          Carlos Drummond de Andrade
Neste exemplo, o medo, uma sensação, é transformado em pai e companheiro, algo que só é atribuído a um ser humano.

Hipérbole
Esta figura de linguagem consiste no emprego de palavras que expressam uma ideia de exagero de forma intencional.
Exemplo:  Ela chorou rios de lágrimas.

Chorar rios remete a um choro contínuo, exagerado e o termo rios vem para enfatizar a ideia de que foi um choro intenso.

Eufemismo
O eufemismo ocorre quando utilizamos palavras ou expressões que atenuam e substituem outras que produzem um efeito desagradável e chocante. Exemplos:

Faltei com a verdade ao dizer que fui à igreja.
Menti ao dizer que fui à igreja.
A expressão e o impacto negativo que a palavra menti traz é ""suavizado" ao dizer que "faltei com a verdade".

Ironia
É a expressão de ideias com significado oposto ao que se realmente pensa ou acredita. Exemplo:

                      Moça linda, bem tratada,
                      Três séculos de família,
                      Burra como uma porta:
                      Um amor!
                                                            Mário de Andrade
O trecho é o exemplo claro de ironia: a moça é descrita como, bonita e bem tratada, tradicional, conservadora (é de família) e burra. O destaque em "um amor", apoiando-se na descrição da moça, mostra que ela, ao contrário de ser esse "amor de pessoa", é, na verdade, alguém sem atrativos, sem graça.